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Acrítico

Leituras dispersas

Gungunhana | Ungulani Ba Ka Khosa

Gungunhana | Ungulani Ba Ka Khosa

Gungunhana foi o último imperador das vastas terras de Gaza. Pela força dos seus guerreiros, impôs o domínio dos Nguni sobre as outras etnias, chacinando os que não se lhe submetiam, governando com mão de ferro os que, rendendo-se, se predispunham a prestar-lhe vassalagem. Mouzinho de Albuquerque, com as suas carabinas e metralhadoras, pôs-lhe fim ao império, aprisionou-o e trouxe-o para a metrópole onde foi exibido como um troféu de caça. Foi dessa forma que os portugueses o imortalizaram nos seus livros de história do ensino oficial. Continue reading “Gungunhana | Ungulani Ba Ka Khosa”

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O senhor Ventura | Miguel Torga

O senhor Ventura | Miguel Torga

O Senhor Ventura narra uma história verosímil de um português saltimbanco, a quem a curiosidade impede de passar à beira dum abismo sem olhar, e que percorre o oriente numa persistente busca pela fortuna que, no seu país, se encontra fora do seu alcance. Continue reading “O senhor Ventura | Miguel Torga”

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Louca | Chloé Esposito

Louca | Chloé Esposito

No termo de responsabilidade, prólogo com que abre o romance, a protagonista/narradora informa-nos ser a imagem especular da irmã: Ela é como deve ser, eu não. E deixa-nos um desafio: se Beth é um anjo… eu sou o quê?

Duas gémeas idênticas, monozigóticas, por fora ninguém as distingue. Alvie culpa Beth, como se não houvesse espaço para as duas, e a irmã sugasse tudo o que de bom a vida tem para oferecer, não restando mais nada. Continue reading “Louca | Chloé Esposito”

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Manobras de Guerrilha | Bruno Vieira Amaral

Manobras de Guerrilha | Bruno Vieira Amaral

As crónicas dedicadas aos heróis do desporto abrem esta coletânea, agrupadas sobre um título genérico que em si, é uma proposta: emboscadas. Futebol e boxe, não se dissociando este último das suas representações cinematográficas. Pretexto para o autor nos convidar a uma reflexão sobre a forma como encaramos os nossos ídolos, não como numa experiência catártica de expiação dos nossos pecados, mas por serem, nas suas fragilidades e contradições, quem melhor vive os nossos sonhos. Continue reading “Manobras de Guerrilha | Bruno Vieira Amaral”

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Coração Mais Que Perfeito | Sérgio Godinho

Coração Mais Que Perfeito | Sérgio Godinho

A estreia de Sérgio Godinho no género literário do romance remete-nos para o imaginário das mulheres que habitam o seu universo musical, do qual não se limita a invocar nomes que nos são familiares. São mulheres marcadas pela vida e que não se dão por vencidas. Vivem a condição feminina, imposta pela sociedade como o reflexo de uma fragilidade ou de uma fatalidade. Eugénia, a protagonista, tal como a mãe, passa pela experiência de um aborto clandestino; aparentemente, muitas mulheres passam pelo mesmo… é normal. Nesse momento, a escrita endurece, despe-se de pretensiosismo, de metáforas ou outro tipo de remissões literárias, apenas sobram mãe e filha e a dor que transborda da condição que lhes é comum. Continue reading “Coração Mais Que Perfeito | Sérgio Godinho”

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A Namorada Infiel… | José Couto Nogueira

A Namorada Infiel… | José Couto Nogueira

A Namorada Infiel, O Amigo Incompetente e outras crónicas sobre o sentido da vida, resumem mais de um ano de atividade do autor como cronista do jornal i. Não estamos perante o formato clássico de autoajuda sobre questões sentimentais ou outros achaques com que a vida nos surpreende, mas nas respostas às questões éticas colocadas pelos leitores, desde relacionamentos íntimos ou sociais, até ao comportamento no emprego ou nos negócios. A eterna pergunta: se os fins justificam os meios. Continue reading “A Namorada Infiel… | José Couto Nogueira”

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Os Loucos da Rua Mazur | João Pinto Coelho

Os Loucos da Rua Mazur | João Pinto Coelho

Algures, na Polónia, uma comunidade formada por judeus e cristãos vive uma coexistência amarga, ainda que pacifica. Dois miúdos, um cristão e outro judeu, aproximam-se e tornam-se amigos. A eles se juntará uma miúda, filha de uma bruxa; o elemento pagão a unir as duas religiões do Livro. O desejo e o pecado têm muito de negação do Deus que se professa. Shionka, a filha da bruxa, leva-os a espreitar os habitantes da aldeia, através das janelas das suas casas. Sendo muda de nascença, aquela é a sua forma de contar as histórias que conhece. Continue reading “Os Loucos da Rua Mazur | João Pinto Coelho”

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Sérgio Godinho – Muito cá de casa

Os códigos da composição – da canção à prosa.

O Muito cá de casa recebeu Sérgio Godinho para nos falar do seu mais recente livro, e primeiro romance, Coração mais que perfeito. Rosa Azevedo conduziu uma sessão muito participada, onde o autor falou das mulheres que habitam as suas canções e a sua escrita. Continue reading “Sérgio Godinho – Muito cá de casa”

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Doida Não e Não!

A Bertrand Editora e o Centro Hospitalar Conde de Ferreira têm o prazer de o/a convidar para a apresentação do livro «Doida Não e Não!», de Manuela Gonzaga, no dia 28 de fevereiro, pelas 18h00, no Centro Hospitalar Conde de Ferreira.

Os oradores da sessão serão: Adrían Gramary, psiquiatra; Aida Suárez Gutierrez, Confraria Vermelha – Livraria de Mulheres; Sofia Teixeira, blogue Bran Morrighan.

Instantâneos | Claudio Magris

Um instantâneo é uma fotografia tirada com um tempo de exposição muito breve e
sem apoio de tripé. Em Instantâneos, Claudio Magris compõe uma sequência (cronológica) de textos muito breves, em que disseca pequenos e grandes aspetos da vida quotidiana, da vida política e da nossa intimidade. Continue reading “Instantâneos | Claudio Magris”

” Ungulani Ba Ka Khosa #2

Nunca os homens foram capazes de penetrar nessas profundidades do olhar que as mulheres bem sabem rutilar, refulgir, como desfrutar e enturvar. Essa gramática do olhar, essa sintaxe de brilhos e embaciamentos, Continue reading “” Ungulani Ba Ka Khosa #2″

Os Que Sucumbem e os Que se Salvam | Primo Levi

Quarenta anos depois do clássico Se Isto É Um Homem, Primo Levi, consciente de que o Holocausto corria o risco de, pouco a pouco, ser apagado da memória coletiva, voltou ao tema dos campos de concentração nazis com a apaixonada e apaixonante clareza de toda a sua obra. Continue reading “Os Que Sucumbem e os Que se Salvam | Primo Levi”

O Nervo Ótico | María Gainza

Efetivamente, quando María Gainza escreve nestas páginas sobre as vidas incríveis de El Greco, Courbet, Fujita ou Toulouse-Lautrec, sobre o banquete que Picasso ofereceu em honra de Henri Rousseau entre a admiração e a troça ou sobre as misteriosas razões por que Rothko se recusou a entregar ao luxuoso Four Seasons uma encomenda milionária, Continue reading “O Nervo Ótico | María Gainza”

A Vida é Um Tango e Outras Histórias | Cristina Norton

Fiel às suas raízes argentinas, Cristina Norton segue, em A Vida É Um Tango, a tradição dos grandes contistas latino-americanos. As suas histórias transportam-nos à Argentina, ao México, a França e a Portugal, dando-nos a conhecer um cleptómano que rouba a voz de um grande cantor, uma pintora com uma vida insólita, uma mulher que lê o destino nas folhas de chá, um anão bombeiro, uma menina malcomportada, a perna perdida de uma grande artista, a vingança póstuma de uma sogra, entre outras personagens e coisas memoráveis. Continue reading “A Vida é Um Tango e Outras Histórias | Cristina Norton”

A Febre das Almas Sensíveis | Isabel Rio Novo

Portugal, primeira metade do século xx. Entre os males que assolam um país isolado e retrógrado, a tuberculose ressalta como uma das principais causas de morte.

Ainda sem recursos farmacológicos para combater a doença, os médicos recomendam aos infetados o internamento em sanatórios instalados em zonas de altitude. Na serra do Caramulo, outrora uma região pobre e agreste, cresce uma estância sofisticada que, no auge do seu funcionamento, chega a acolher milhares de doentes. Continue reading “A Febre das Almas Sensíveis | Isabel Rio Novo”

” Ungulani Ba Ka Khosa

É verdade irrefutável que Ngungunhane foi imperador das terras de Gaza na fase última do império. É também verdade que um dos prazeres que cultivou na vida foi a incerteza dos limites reais das terras a seu mando. Do que se duvida é do facto de Ngungunhane, um dia antes da morte, ter chegado à triste conclusão de que as línguas do seu império não criaram, ao longo da sua existência, a palavra “imperador”. Continue reading “” Ungulani Ba Ka Khosa”

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