As Palavras do CorpoAs Palavras do Corpo by Maria Teresa Horta

O lado interdito e incómodo do nosso corpo liberta-se pela palavra. Maria Teresa Horta resgata-o num banquete de partilha onde o amor assume o seu lado carnal. As palavras são esse corpo desvendado sem falsos pudores. Onde o poema se despe e se deita ao nosso lado. Poesia maior e de maioridade que resgata para todo o sempre a mulher (poeta) de qualquer laivo de menoridade; morreram as poetizas, nasceu a poesia completa, com o seu lado homem e o seu lado mulher.

FAZER AMOR COM A POESIA
Deito-me com as palavras
beijo a boca dos poemas
quando a razão desvaria

Manipulo a linguagem
tomo a nudez dos meus versos
faço amor com a poesia

Pedi a três escritoras que partilhassem comigo uma frase, um pensamento de enlevo e dessacralizado. Um “desagravo” para citar a própria Maria Teresa Horta, que no dia do lançamento, se referiu ao seu livro como “uma desobediência erótica que acende no corpo uma fogueira de luz.”

A Cristina Carvalho refere o mergulho vertigem que esta poesia nos oferece:
“Se imaginarmos a vertigem da liberdade no corpo de uma mulher, por inteiro e sem pecado, nua e crua, veremos, cheia de luz, a poesia de Maria Teresa Horta desenhada em palavras e linhas de um erotismo sublime!”

Maria João Cantinho assume o romantismo que se completa:
“Ao amor romântico, e Maria Teresa Horta sabe-o, falta-lhe o peso, a carnalidade que o transfigure em corpo total. E essa, a desmesura, o desconhecimento dos limites, a entrega total, constitui a pulsão geradora de um lirismo e de uma sensibilidade extraordinárias, que jamais cede à tentação do obsceno.”

E a Amélia Vieira descobre nesta poesia o absoluto do ente para além do ser e dos sonhos:
“A Maria Teresa Horta é um feminino absoluto. Dona de si e do seu destino, macia e doce como as flores, amante e serena como as tardes de Maio, ela é mãe, mulher, amante… é feno, é ferida, é feitiço de um ideal que se perdeu. É da estirpe das Fadas e dos Sonhos.”

O Meu Desejo
Afaga devagar as minhas
pernas
Entreabre devagar os meus
joelhos
Morde devagar o que é
negado
Bebe devagar o meu
desejo

Fecha-se, sobre o proibido do nosso pudor, um grito de liberdade conseguido no corpo das palavras.

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