Para IsabelPara Isabel by Antonio Tabucchi

Este é o romance de uma busca: a demanda por Isabel. A resolução de um enigma, entre o passado e os dias de hoje. O que aconteceu a Isabel?
Um homem inicia a sua investigação com um encontro, a ter lugar no restaurante mais luxuoso de Lisboa. Para fazer tempo, detém-se numa tasca do Intendente, os extremos tocam-se, fazem parte de uma mesma realidade. Tempo e espaço. Estamos no primeiro círculo.

… em Cabo Verde também há muitos cães vadios, e são quase sempre amarelos, como aqui na Reboleira… Todas as buscas têm esse lado remissivo, oscilando entre o passado e o presente. Círculos concêntricos dentro de uma mesma história. Um lado de epifania. Waclaw procura Isabel, sabe que esse encontro só pode acontecer no passado. A sua busca leva-o até ao oriente, onde continuamos numa geografia familiar: Macau, a gruta de Camões e a fachada da catedral de São Paulo. Apesar desta deriva por círculos mais dados ao misticismo, continuamos no mundo das coisas concretas, dos sabores, cheiros e locais que nos são conhecidos. No oriente, berço dos mandalas, estamos no mundo das transfigurações, um círculo de nível superior. Um mandala não encerra em si uma busca ao tesouro. Pertence ao domínio da consciência, onde viajantes de tempos diferentes podem encontrar-se num presente que lhes seja comum. Toda a demanda tem um ponto de partida, o ponto a que se chegou antes de se iniciar a caminhada.

O agora e o outrora anularam-se, respondeu Isabel, tu estás a dizer-me adeus como naquele tempo, mas estamos no nosso presente, o presente de cada um de nós, e tu estás a dizer-me adeus.

Nota: este é o primeiro inédito póstumo de Antonio Tabucchi. Escrito ao longo dos anos, regressa a ele em 2011 para o reler e eventual publicação. Viria a falecer alguns meses depois.

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