MapaMudo_logoA história destas cidades chega-nos pela voz de Jilodeu. A revelação inicia-se com o cair da noite e termina ao nascer do sol. Os mundos começam por ser imaginados e partilham, na sua génese, das trevas que precedem a Criação.

Neste planeta, as cidades ligam-se entre si através do mar e surgem aos olhos dos mareantes como um cavalo negro que levanta as duas patas dianteiras no ar. São cidades continente, com a sua história de cataclismos naturais, relações sociais, gastronomia e uma religiosidade em que a humanidade precede os deuses. Um mundo paralelo que não deixa de ser, à sua maneira, um reflexo do nosso.

Num registo poético, Luís Carmelo discorre sobre estas cidades imaginadas, numa arqueologia geológica e social em forma de arauto. O corpo é uma rocha, sujeito aos mesmos processos geológicos e nele, numa escala de tempo diferente, irrompe a mudança. Nesta deriva de continentes, encontramos um modelo que também se adapta à nossa existência. Do misticismo religioso de um Cristo, refém da indecisão de ressuscitar, e que permanece na companhia da humanidade, colocando em discussão as diversas figurações da fé; até à própria invenção da escrita, jogo de contrastes sobre uma superfície plana, como a contemplação primitiva das estrelas e planetas na escuridão da noite. Esta arte do improvável, cartografando a imaginação, é um labirinto poético que nos convida ao devaneio. O presente texto acompanha a exposição da cartografia das Cidades Imaginadas patente na Galeria Abysmo.

O homem olha para cima e vê a mão que o enforma.

Muça_LCCidade de Muça.

Leia o texto original aqui.

A exposição na Abysmo.

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