Açores : o segredo das ilhasAçores : o segredo das ilhas by João de Melo

Ao lermos esta narrativa de viagem ficamos com a convicção de que o Atlântico nasce dos Açores, dessa espiral de ilhas que, lá dos altos, tomba sobre os abismos oceânicos, ou dito de outro modo, em que, dos abismos do mar, as ilhas se ergueram em picos. Uma orografia assim alberga uma paisagem que se abre ao esplendor da cor e da vertigem, à fruição de todos os sentidos, impondo ao escritor mais experiente uma linguagem no domínio da poesia.

O viajante percorre estas paragens em euforia, convivendo com o quotidiano das suas gentes, conhecendo alegrias e dores, descobrindo lendas e cultos, pois esta natureza rebelde apenas se submete ao Divino. E as baleias ao largo, a desafiar as máquinas fotográficas. Os grandes cetáceos sempre contribuíram para o sustento dos insulares, no passado através da caça, hoje ao satisfazer a curiosidade dos turistas que sonham com aventuras do passado.

A paisagem irrequieta, ainda por cumprir, alterna entre o oculto e a revelação, insinuando a sua singularidade, como se cada ilha deslizasse numa rota de mar diferente. Os Açores são aqui narrados na sua identidade geográfica, histórica e cultural, e na sua permanente tentação para olhar. Nessa descoberta, a intuição precede o olhar, porque nada é deixado ao acaso. O autor imagina a mão de um arquiteto planeando o improvável e a beleza, moldando o caos numa ordem que escapa ao entendimento humano. O leitor delicia-se com este relato e sabe, que se um dia for aos Açores, levará consigo este livro.

Sem ser exaustivo, os Açores estão por inteiro neste livro, num fervor de linguagem onde nenhum recanto, nenhuma vertigem, nenhum vento ficou por contar.

Aqui só Deus e o vento é que não nos abandonam. (desabafo do guia na Ilha das Flores)

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