essa-puta-tao-distintaNuma tarde de Janeiro de 1941, Carol dirige-se, sem grande vontade, ao cinema Delicias. Usa saltos altos, meias pretas e veste uma gabardina meio desapertada. A sala está a abarrotar: os cartazes anunciam a reposição de Gilda e faz-se fila para ver esse corpo de mulher feito de curvas e sorrisos, mas a Carol isso é-lhe indiferente. Em vez de se juntar ao público, sobe até à cabina de projeção. Ali, espera-a Fermín Sicart, o operador que, a troco de umas moedas e de um triste lanche, vai desfrutar dos seus encantos, mas hoje algo corre mal e Carol não sairá com vida desse encontro.

Mais de trinta anos depois, no verão de 1982, alguém decide fazer um filme a partir desses factos escabrosos. O processo judicial é claríssimo: houve um crime, uma vítima e um assassino… Fermín, réu confesso, lembra-se perfeitamente de ter estrangulado a sua amada Carol com uma tira de película de filme, só não sabe porque o fez.

A partir desta questão, Juan Marsé constrói um romance magnífico, que nos conduz pelos caminhos da memória e do esquecimento, com a consciência de que, por vezes, as recordações são bombons envenenados.

Nota de Imprensa da D. Quixote.

A minha leitura.

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