antonio-ferro-um-homem-por-amarRita Ferro nasce um ano depois de António Ferro morrer. Todavia, a imagem que lhe sobrevém quando o evoca, gerada por tudo o que foi ouvindo e conjecturando ao longo de décadas, dentro e fora da família, bastaria para que alguém na sua circunstância – neta, romancista e utilizadora privilegiada do espólio familiar – se sentisse mais do que tentada a concorrer com a sua própria ideia do Avô, acrescentando outro frescor e outra profundidade às versões com que a academia, a edição e a imprensa, aplicadamente, o vêm reduzindo, perdendo de vista o que poderia conferir-lhes outro equilíbrio: a perspectiva do seu lado mais íntimo e humano.
Bem-humorado, carinhoso, imprevisível e indiscreto – mas nunca inocente – este livro, cujos anacronismos são deliberados, e que continua o que Retrato de Uma Família já começara, é uma recriação pessoalíssima composta de uma série de frescos baseados em factos verídicos, com uma abordagem totalmente inesperada, oferecendo ainda, no final, um lote de correspondência inédita.

Nota de Imprensa da Dom Quixote.

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