autopsia_um_mar_ruinasAutópsia de Um Mar de Ruínas, romance singular pela dupla perspectiva da guerra colonial que nos apresenta, comporta duas narrativas paralelas: uma centrada na acção dos militares portugueses no Norte de Angola, outra num quotidiano de medo e miséria, na revolta silenciosa e fria, na vitimização de duas sanzalas.

Este foi o mundo que o autor conheceu em Angola, ao longo de mais de dois anos de comissão, como enfermeiro militar, entre centenas de homens, mulheres e crianças, por conta das suas dores de alma, das suas doenças, dos males de viver e morrer na guerra. Nesse sentido, Autópsia de Um Mar de Ruínas – agora profundamente revisto e reescrito com vista ao apuro definitivo da linguagem, o que sempre esteve nas preocupações e na intenção do escritor – pode sugerir-nos um compromisso superior entre ficção e mundividência, do autor e de quantos viveram o seu requiem africano, o canto fúnebre da vida contra a morte.

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