As Memórias de Raul Brandão constituem um dos documentos literários mais importantes do século XX português (como um exemplo único de memorialismo) e um testemunho vivo, intenso e direto do período histórico que acompanham – de 1900 ao final da década de 20.

 

Seguindo acontecimentos decisivos da nossa História, como a decadência da monarquia, o regicídio, a implantação da República, os seus momentos de violência e agonia, as Memórias de Raul Brandão são um vasto manancial de informação vivida e recolhida pelo Autor.
Simultaneamente, podem ser lidas como um poderoso, deslumbrante e melancólico testamento literário, político e biográfico de um dos autores que atravessou a modernidade como um talento raro, um génio português ferido e abandonado pelo seu tempo, um exemplo de raríssima humanidade e sensibilidade.

«Rodeia-nos o silêncio vivo, alma do mundo, o silêncio que é talvez o que eu mais amo na aldeia, este silêncio perfumado que envolve a nossa casa na solidão tremenda da noite: mais perto de mim arfa alguma coisa de religioso e profundo: sinto a Vida e a Morte. Sinto-as enquanto a última brasa se apaga e as tuas mãos se agarram às minhas mãos de velho.»

Raul Brandão nasceu na Foz do Douro, Porto, a 12 de março de 1867, e morreu em Lisboa a 5 de dezembro de 1930. Militar de 1888 a 1911, quando se reformou do posto de capitão, foi ao jornalismo e à literatura que dedicou a sua vida, escrevendo livros, como Húmus, a sua obra-prima, ou peças de teatro como O Gebo e a Sombra, que impressionaram várias gerações até aos nossos dias. Sem nunca ter escrito poesia, a sua escrita é predominantemente poética, e a condição humana o tema profundo da sua obra: simbolista-decadentista no início, com História de um Palhaço, impressionista no final, quando escreve Os Pescadores e As Ilhas Desconhecidas, considerado «um dos melhores livros de viagens de todos os tempos na literatura portuguesa». As suas Memórias – que agora se apresentam reunidas num único volume – são uma das grandes referências neste género.

Nota de Imprensa da Quetzal.

Anúncios