Era ainda adolescente, mas tinha um corpo sólido, perigoso, o tipo de corpo em que os homens da família começam a reparar desde muito cedo, com aquele sentimento confuso de orgulho cortês e de desejo homicida, incestuoso, que se respira nas mesas fartas dos almoços de domingo. Este perigo só o vejo agora ao escrever porque, naquela idade, a minha ânsia de perfeição era um sintoma de beatitude, quando a minha pureza ainda não fora contaminada pela brutalidade animal das primeiras e pungentes ejaculações.

 

hoje estarás comigo no paraíso, Bruno Vieira Amaral, 2017, Quetzal

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