Passeava com ela uma tarde no Parque, quando de repente percebeu: a guerra já estava ali. Havia uma sombra por dentro dos rapazes e raparigas que se sentavam à beira do rio. Eles riam, falavam, beijavam-se, sentavam-se de mãos dadas nos bancos de pedra. Mas uma sombra crescia dentro deles, escurecia o olhar, apagava de súbito os risos e as conversas.

As raparigas chamavam-nos ternamente, faziam-lhes festas, mas eles continuavam perdidos em si mesmos. Estavam cercados, de um lado o mar, do outro a Espanha. Ir à guerra ou não ir, África ou França. Era uma geração obrigada a conjugar na primeira pessoa o verbo matar e o verbo morrer. Há muito que tal não acontecia.

Jornada de África, de Manuel Alegre, 4ª edição 2017 (1ª edição 1989), D. Quixote.

O primeiro romance de Manuel Alegre, uma excelente surpresa.

sobre o livro

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