Ainda antes de estar tudo parado o meu pai desceu a correr, mas não conseguia localizar o amigo. A neve agora era dura. Neve pesada e bem comprimida pela queda. Lançou-se pela avalanche a gritar, olhando para todos os lados para ver se algo se movia, mas neve estava outra vez imóvel embora não tivesse passado mais de um minuto depois da queda.

Nos meses seguintes, o meu pai relatava assim: era como se uma besta enorme tivesse sido incomodada no sono, tivesse resmungado um pouco, tivesse deitado para trás das costas o aborrecimento e se tivesse instalado de novo onde estava mais cómoda, e agora já dormisse outra vez. Para a montanha não tinha acontecido nada.

As Oito Montanhas, de Paolo Cognetti,2017, D. Quixote.

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a minha leitura

 

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