Rebeldia, de Cristina Carvalho

Uma história que poderia ser banal, da vida de uma mulher que luta desde a adolescência contra aquilo que lhe é imposto socialmente, transformada por Cristina Carvalho num romance poderoso e inesquecível em torno dos limites da violência e da liberdade.

Leninha conta-nos a sua história.
Uma mulher nascida na província que se rebela desde que tem memória contra tudo aquilo que lhe é imposto: a família, a estreiteza dos espaços e das vidinhas pequeno-burguesas, as pequeninas e grandes hipocrisias que mascaram com perfume barato a pocilga em que, afinal,
todos chafurdam.
Leninha respira fundo no chiqueiro dos porcos, mas atabafa no quotidiano mascarado de normalidade. E conta-nos a sua história, sem complacência nem piedade.
Era nestes momentos que o cheiro das pocilgas me vinha à memória com tal intensidade que chegava a sentir uma espécie de felicidade. De repente, regressei onde nasci e cresci. O Luís Filipe dançava, agora, num palco improvisado mesmo à frente do meu rosto, e imaginei-me com ele, a subir e a descer as escadas lá da pensão, essas escadas que levavam ao piso por cima da sala de refeições onde o meu quarto se encontrava. Imaginei as caras dos hóspedes, alguns que me conheciam desde a infância, alguns dos que me davam conselhos e me abençoavam quando partiam e me faziam muitas recomendações e beijocavam a mãezinha e apertavam as mãos do paizinho e me esfregavam o alto da cabeça, emaranhando-me os cabelos numa prolongada festa. O que é que eu posso fazer se nasci assim, rebelde? E isto sou eu agora a falar, agora que já se passaram tantos anos.

Cristina Carvalho nasceu em Lisboa a 10 de Novembro de 1949.
Durante a sua actividade profissional, contactou com milhares de pessoas e visitou inúmeros países, sendo a Escandinávia e o Oeste português as regiões que mais ama e que mais influência exercem sobre o seu imaginário e a sua personalidade enquanto transitório ser humano do sexo feminino, habitante do planeta Terra e, por acaso, escritora.
Não por acaso, nesta sua actividade a que não chama profissional é já autora de vários livros, e outros seguirão. Até à data, tem publicados: Até já não é Adeus (1989 e 2017); Momentos Misericordiosos (1992); Ana de Londres (1996); Estranhos Casos de Amor (2003); O Gato de Uppsala (2009); Nocturno: o Romance de Chopin (2009) e Lusco-Fusco (2012), (os três
últimos seleccionados para o Plano Nacional de Leitura); Tarde Fantástica (2011); A Casa das Auroras (2011); Rómulo de Carvalho/António Gedeão – Príncipe Perfeito (2012), Marginal, 2013, Quatro Cantos do Mundo, (2014), O Olhar e a Alma, Romance de Modigliani (2015), As Fabulosas Histórias da Tapada de Mafra, (2016).

Nota de Imprensa da Planeta Editora.

 

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