Pela arte da palavra de padre António Vieira, Portugal, país de valor exíguo no século XVII, valendo apenas pelo legado dos territórios do Império, permanece desde então sebastianisticamente em estado inquieto de vigília, imagem perfeita de país suspenso no tempo, aguardando o «despertar», a «Hora!» pessoana, porque de novo cruzará os mares– agora do espírito e da cultura, falhado que foram os reais – tornando-se de novo grande: é o complexo vieirino, que nos determina a desejarmos mais do que nos pedem as forças e nos exigem as circunstâncias, pulsão social que orientou as caravelas portuguesas e enobrece liricamente o nosso estado de país fora da história real, suspenso no tempo.

Traços fundamentais da cultura portuguesaMiguel Real, Planeta, 2017.

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