E novamente o medo. O medo antes deste medo do outro lado do mar. O medo de cada dia, de cada noite, por vezes da cada hora. Estava por dentro, sentava-se na mesa ao lado, ouvia, espiava, perscrutava, rondava na praça, seguia passo a passo pela rua, insinuava-se no sono, retinia no telefone a meio da noite, tocava subitamente a campainha às sete da manhã, sobretudo às sete da manhã. Era uma sombra, um silêncio, um zumbido, um susto. A medo se falava, a medo se regressava de noite a casa, a medo se acordava, a medo se dormia, a medo o amor, a medo tudo.

Jornada de África, de Manuel Alegre, 4ª edição 2017 (1ª edição 1989), D. Quixote.

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