Céu que nos Protege é o grande romance de Paul Bowles, livro de estreia do inveterado viajante, compositor e escritor. Uma ficção inaugural que lhe mereceu uma elogiosa crítica do dramaturgo Tenessee Williams: «[o livro] conduz o leitor a uma desconcertante comunhão com o talento de verdadeira maturidade e sofisticação, de uma espécie que eu começava a temer só se encontrar hoje em dia entre os rebeldes romancistas franceses, como Jean Genet, Albert Camus e Jean-Paul Sartre».

Escrito em grande parte no deserto do Sahara, onde a ação se desenrola, Bowles demonstra o seu domínio sobre o território e, acima de tudo, sobre a aura que se inscreve naqueles lugares. A sua austeridade e paixão pela cultura tradicional fez dele um dos mais acutilantes observadores de civilizações estrangeiras.
Em O Céu que nos Protege, publicado originalmente em 1949, Kit e Port, um casal americano, aventura-se nas profundidades do deserto até não haver sinais visíveis de influência europeia. Kit e Port encontram finalmente um estado de pureza. Uma pureza que as personagens de Bowles buscam constantemente e que acaba por ser a sua destruição.

Este é o mais importante romance de Paul Bowles, que foi adaptado ao cinema por Bernardo Bertolucci, com John Malkovich e Debra Winger, nos papéis principais. De recordar que a Quetzal tem vindo a publicar o conjunto da obra do autor, nomeadamente o livro Viagens, que esgotou a sua primeira edição em português.

Paul Bowles nasceu em Queens, Nova Iorque. Aprendeu a ler aos 4 anos e manteve diários escritos e desenhados desde essa idade. Com 9 anos, começou a estudar teoria da música, canto e técnicas de piano. A partir de 1928, frequentou a Universidade da Virgínia e, em 1929, iniciou-se nas viagens, passando uma temporada na Europa. Voltou a Paris em 1931, onde conviveu com Gertrude Stein, Jean Cocteau e Ezra Pound; continuou por Berlim, onde se tornou amigo de Christopher Isherwood e visitou Kurt Schwitters, em Hanôver. Foi também nesse ano que viajou pela primeira vez até Tânger, onde viveu grande parte da vida e acabou os seus dias. Em 1937, Bowles conheceu a escritora Jane Auer, com quem partiu de imediato em viagem para o México e com quem se casou no ano seguinte. Mantiveram um casamento aberto, por vezes turbulento, com viagens ora a uni-los ora a separá-los, até à morte de Jane Bowles, em 1973.
Nos anos 50, vivendo grandes períodos no Norte de África, Bowles conheceu o marroquino Ahmed Yacoubi, que se tornou seu companheiro íntimo nas décadas que se seguiram e em muitas viagens. Esses anos foram também marcados pela visita e permanência das principais figuras da Beat Generation em sua casa, em Tânger.

Nota de Imprensa da Quetzal.

Anúncios