Peregrinação de Barnabé das Índias | Mário Cláudio

Num único parágrafo, a ação, o ambiente, a história e os seus mitos, a transformar esta escrita num desenrolar de enigmas. Ajustar o sextante à trajetória do sol, extensa é a bagagem do viajante, como profuso é o léxico que dá corpo a esta narrativa. Sabe Barnabé que a arte de navegar se faz de segredos? Que em sonhos se pode ir a todas as Índias? Para quem nunca viu o mar, uma alforreca, ser translúcido em forma de lente, revela-se um enigma indecifrável.

 

De que serve viajar se o desconhecido nos fica à porta de casa? Por duzentos cruzados de espaço no porão se enfrenta o mar, mas nada nos livra do Inverno a vida, mesmo quando a distante Índia nos rouba a velhice ao ceifar-nos a vida.

E para trás haviam engolido dois oceanos os pesadelos que lhes habitam o abismo, e o abismo de quem os cruza, e abria as ondas o arcanjo Rafael, e não se lhes deparava maré que lhes não fosse de feição.

sobre o livro

 

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