Duas notas: qualquer escritor, por jovem que seja, que se aliste numa associação de escritores ganha automaticamente vinte anos, pelo que é muito natural que uma associação destas seja composta por antiquíssimos jovens autores;

ninguém bem-intencionado acredita que as respostas àquelas perguntas sejam encontradas num belo dia de Primavera em Budapeste misturando as opiniões aleatórias de vinte escritores que, na maioria, se exprimem em inglês técnico. Ou seja, a utilidade de uma tal discussão é quase nula. Alguns acham que tem a virtude de pôr em contacto pessoas de outros países e outras culturas, mas a verdadeira vantagem que detecto é a confirmação de que a estupidez e as opiniões banais e formatadas se distribuem, com alguma harmonia, por todo o lado e não poupam esta elite de iluminados pontas-de-lança do pensamento com que as pessoas mais ingénuas ainda insistem em confundir os escritores. Eu contribuí com as minhas e não me arrependo disso. É raro termos pensamentos originais e é certamente duvidoso que os mesmos nos ocorram numa reunião tão formal.

Excerto da crónica Viver para sempre em Budapeste, Manobras de Guerrilha, Quetzal, 2018