Nunca os homens foram capazes de penetrar nessas profundidades do olhar que as mulheres bem sabem rutilar, refulgir, como desfrutar e enturvar. Essa gramática do olhar, essa sintaxe de brilhos e embaciamentos,

os homens nunca conseguiram descodificar porque se ficaram, durante os séculos da sua razão, pela palavra, a palavra dita, entoada com vivacidade e arrebatamento, com furor desmedido ou sanha assassina, ou com a indulgência dos superiores, a compassividade dos derrotados, a miseração dos explorados. A palavra está para os homens, como o olhar, a linguagem das luzes e das sombras, para as mulheres.

Gungunhana, de Ungulani Ba Ka Khosa, 2017, Porto Editora 2018.

sobre o livro         a minha recensão

1ª citação