Sangue na Neve | Jo Nesbø

O cânon dos thrillers dita um certo tipo de escrita e Jo Nesbø marca o nível literário e o seu público, ao abrir este policial com uma bela metáfora: A neve dançava como algodão à luz dos postes de iluminação.

 

Olav é um assassino contratado, alguém que falhou a carreira de ladrão e também não se deu bem como chulo. Um equivoco empurra-o para a profissão de assassino contratado. Aprendeu a colocar-se atrás da vítima e a escolher o momento certo para disparar. Esse tempo de espera, antes de premir o gatilho, não era uma hesitação, sentia que havia um momento certo, um segundo em particular, comprimido entre todos os outros segundos, era uma pausa para saborear o poder de dispor nas suas mãos o destino de alguém. Quando imaginamos algo que mais ninguém vê, esse momento e toda a sua beleza pertence-nos.

Não havia nada de pessoal, trabalhava à unidade e tinha fama de ser eficaz. Não tinha amigos, nem ninguém lhe conhecia a morada. Vivia uma vida sem sobressaltos até ao dia em que recebe o contrato para assassinar a mulher do chefe. O reconhecimento do terreno  leva-o a envolver-se; o que vê da janela de vigia não deixa de o perturbar, de mexer com as memórias de infância. Nem sempre o que nos é dado a ver, nos conduz à verdade. Ao tentar mudar o destino do seu alvo, Olav acaba por se envolver numa espiral de morte, como se cada gota de sangue na neve o afastasse ainda mais da salvação.

Jo Nesbø  dá ao seu livro um final surpreendente, intenso e belo. Sabemos que é do cânon surpreender o leitor no desfecho de um thriller, mas neste caso a fasquia ultrapassa todas as expectativas. Uma leitura que recomendo, mesmo aos que não são fãs do género.

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