| Chloé Esposito

Alvie acaba de ser roubada. Depois de ter conquistado a vida perfeita da irmã gémea, a super fascinante Beth, acaba por ser traída. Tal como no primeiro livro, A Louca, Alvie arrasta consigo a sua irmã como um membro decepado que não se desprende[1]. Beth sopra-lhe na consciência as suas observações, antecipa-lhe os perigos, diverte-se com as consequências, como se uma parte de Alvie aceitasse essa punição.

 

No início do livro existe um resumo do percurso de Alvie até ao momento presente, permitindo ao leitor prosseguir a leitura deste volume sem ter lido o primeiro. Típico da escrita de Chloé, logo na primeira página o mote fica traçado: Na verdade a culpa não foi minha, percebem? Por isso, façam-me um favor: não me julguem.

Alvie pretende ser uma assassina profissional e apesar das mortes que vai deixando pelo caminho não consegue alcançar o seu objetivo: aqueles corpos não contam, não são culpa sua, viu-se forçada, não podia fazer nada para evitá-lo. Como pode, então, alguém tão inocente incorrer em tantos perigos? Uma quase maldição a persegue e da qual se livra no último instante. Mas não se esqueçam que tudo começou porque confiou em Beth, a sua irmã gémea, e decidiu ajudá-la; na realidade Alvie tinha perdido o emprego e sido expulsa do apartamento que partilhava com dois companheiros. Contudo, ao roubar a vida à irmã, deixou de ser Alvie para ser Beth, o que foi uma forma nobre de se deixar morrer também.

A escrita de Chloé é destemida, na violência como no sexo a sua personagem não se submete aos limites da moral tradicional, tem os seus e isso basta-lhe. Chega mesmo a desabafar: Ultimamente, tenho negligenciado a minha poesia. A escrita mantém o registo contemporâneo do primeiro volume, com constantes referencias às estrelas Pop e do cinema, chegando a recorrer a Nelson Mandela para ilustrar como se sente. A permanente necessidade de um mundo de glamourque julga ser o meio natural de Beth e que, por direito agora lhe pertence, arrasta-a como uma vertigem. Alvie é de exageros e isso nega-lhe o prazer de degustar um prato da mais refinada gastronomia, só o excesso a satisfaz. Essa é a sua perdição. No fim será surpreendida por um telefonema da mãe: a polícia encontrou o seu pai desaparecido há mais de vinte e cinco anos.

[1]Da recensão ao primeiro volume da trilogia, A Louca.

Sobre o livro