Em pouco tempo, apercebi-me de que escrever sobre arte é relativamente fácil quando se aprende a mecânica.

 

Observa-se o objeto de arte, traduz-se essa visão em palavras e junta-se-lhe qualquer especulação que se considere apropriada à mesma. Se a nossa visão não chegar, também se pode escrever sobre a obra empregando palavras que não existem dentro de nós, palavras alheias, combinadas com destreza. Julgo que as pessoas desprezam os críticos porque detestam a fraqueza, afinal, a crítica é o género menor na hierarquia da literatura. Mas, justamente por ser o mais desconsiderado, goza de uma atraente impunidade.

Hotel Melancólico, de María Gainza, 2019, Dom Quixote.

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