Hotel Melancólico | María Gainza

Uma jovem entra para o departamento de avaliação de um importante banco e é adotada pela temível chefe, cujos créditos ninguém se atreve a questionar. Henriqueta Macedo não só oferece à discípula o acesso ao conhecimento das obras, à sua metodologia de trabalho, mas também abre o seu sistema defensivo, acabando por partilhar com a protegida um esquema de falsificações.

Apesar de cobrar uma comissão por cada falsificação que faz passar por autêntica, não é o dinheiro que a move. Acredita contribuir para o engrandecimento da arte. Ao ajudar o grupo dos falsificadores melancólicos, contribui para divulgar os grandes mestres cujas obras, dessa forma, se tornam acessíveis a mais pessoas. Nem todos podem viajar para a Europa e Estados Unidos para observar os grandes mestres sul-americanos. Não pode uma boa falsificação proporcionar tanto prazer quanto o original? Qual o papel da autenticidade na arte de viver?

Quem pratica um métier fora da lei deve ser honesto, não pode limitar-se a copiar, tem de executar à maneira de. María Gainza fala-nos dessa autenticidade que só o olhar nos devolve. Para quem leu O Nervo Óptico, não pode deixar de sentir que esta segunda obra fica um pouco aquém das expectativas. Salva-se, contudo, a forma intuitiva e apaixonada como a autora aborda as obras de arte, sem o jargão plúmbeo e solene dos académicos. No fundo, as lendas que resgatam os seus heróis ao esquecimento não são uma forma de copiar a realidade histórica?

Observava, através da janela, os jacarandás em flor, mas, na realidade, estava a olhar para as coisas escondidas dentro de mim.

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