Demian | Hermann Hesse

A inocência termina no momento em que deixamos o colo da mãe e perdemos a sua proteção contra os perigos do mundo. A nossa infância começa a desvanecer e o caminho em ordem ao adulto torna-se irrevogável.

Na periferia desse colo reside o mundo proibido, entra-se nele da mesma forma que se cresce. Os medos tornam-se próximos, já não respeitam os limites e acompanham-nos onde antes ficavam retidos à porta.

 

Essa transição pode ser precipitada pelos acontecimentos da vida. O início da escola expõe-nos, nunca estivemos tão longe e desprotegidos durante tanto tempo e, como se sabe, as fragilidades geram presas apetecíveis. A maturidade joga fora a infância, é uma queda no abismo que se interrompe à custa das referências que nos fazem crescer e deitar medos para trás das costas. E, mesmo que o processo seja motivo de fascínio, ninguém deve afastar-se dos passos que deu em direção a si próprio. Um dia, ao revisitarmos a nossa infância, projetaremos nela alguém como Demian, somos nós em formato de resgate tardio, uma reminiscência do colo que um dia desabitámos.

Este é um livro sobre a singularidade irrepetível do ser humano enquanto força vibrante do universo e dos seus limites. Limites que percecionamos ou que julgamos controlar. No horizonte desponta uma guerra.

cada indivíduo é uma criação da natureza em ordem ao homem.

sobre o livro