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Acrítico

Leituras dispersas

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” Bruno Vieira Amaral

Era ainda adolescente, mas tinha um corpo sólido, perigoso, o tipo de corpo em que os homens da família começam a reparar desde muito cedo, com aquele sentimento confuso de orgulho cortês e de desejo homicida, incestuoso, que se respira nas mesas fartas dos almoços de domingo. Este perigo só o vejo agora ao escrever porque, naquela idade, a minha ânsia de perfeição era um sintoma de beatitude, quando a minha pureza ainda não fora contaminada pela brutalidade animal das primeiras e pungentes ejaculações. Continue reading “” Bruno Vieira Amaral”

” Luís Carmelo

… era isso que os grandes escritores aprendiam a fazer ao longo de toda uma vida: delimitar o planeta das suas escritas com uma esquadria que ia aumentando a ovulação da linguagem e diminuindo o número de tópicos abordados. Continue reading “” Luís Carmelo”

” Cristina Drios

Ainda na puberdade, o boato ganhava então força de homem feito e desatava numa correria por empedrados de ruas, ruelas e becos até desaguar no sol amplo das praças. Nos rossios, as vozes dos forasteiros, mercadores ou viandantes Continue reading “” Cristina Drios”

” Sándor Márai

Depois, de repente, tudo ficou em silêncio. Um silêncio… que não se pode explicar, nem conhecer a partir de fotografias ou do cinema. Uma vez na vida tem de se ouvir esse silêncio, quando a casa de família cai por cima da nossa cabeça. Continue reading “” Sándor Márai”

” Luís Carmelo

Francisca fechou-se na gabardina e deslizou pela areia molhada, aproximando-se o mais que pôde das ondas, que são animais em fúria a enrolarem sobre si a pigmentação negra do céu. O mar expande-se a partir da hidra que se entreabre Continue reading “” Luís Carmelo”

” João de Melo

E todo o Pico na vertical do silêncio, tecto mágico deste mundo e do outro, jogo e espiral de ilhas, coração levantado ao alto, estrela no firmamento da morte e da vida.

Açores – O Segredo das Ilhas, de João de Melo, D. Quixote, 2016 (1ª edição 2000)

” Antonio Tabucchi

Passava as manhãs no pátio de uma grande casa onde as mulheres guardavam as chaves dos armários e as janelas tinham cortinas de renda grossa. Ele corria e dava pequenos gritos alegres, e era feliz.

Mulher de Porto Pim, de Antonio Tabucchi, D. Quixote,  2016 (primeira edição 1983)

” Lídia Jorge

Vá lá e traga alguma coisa boa, alguma coisa limpa, uma narrativa luminosa na qual uma pessoa se reveja. Eles andam por aí a dizer o contrário, mas olhe que mais importante do que a verdade é a beleza. A beleza é o grau mais elevado da verdade. Não se esqueça.

Os Memoráveis, de Lídia Jorge.

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