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Recensão

O sistema Periódico | Primo Levi

O sistema Periódico | Primo Levi

Este livro abre com o Argon, um dos gases raros, nobre e inerte, pretexto para uma reflexão sobre a natureza humana; se nobre e inerte se fundem da mesma forma no carater dos homens. A química é a ciência da matéria, da sua transformação e do seu domínio. Este universo não se faz de verdades reveladas, mas do que se demonstra, do conhecimento científico provado em laboratório entre vidraria, calor, fumos e odores penetrantes. Alguns desastres também. O conhecimento sempre foi o melhor antídoto contra os regimes absolutistas; quem conhece o coração da Matéria dispensa-lhe o espírito. Mas, devem os seres raros dar-se a revelar ou permanecer reservados e indetetáveis como os gases nobres? Continue reading “O sistema Periódico | Primo Levi”

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Na Vertigem da Traição | Carlos Ademar

Na Vertigem da Traição | Carlos Ademar

Este romance, baseado em factos reais, conta-nos a história de Miguel Domingos um ativista da revolta de 34 na Marinha Grande, que acompanhamos ao longo da sua vida, desde a passagem pela escola, na Rússia de Estaline, à guerra civil em Espanha, passando pela resistência francesa à ocupação alemã, até ao momento em que cai em desgraça no diretório do partido comunista e acaba assassinado numa mata em Sintra. Carlos Ademar tornou-se um exímio documentalista do Estado Novo, das suas práticas e das suas vítimas, dos que serviam o regime e dos que se lhe opunham. A sua veia de ficcionista complementa esse registo criando uma linha condutora que prende o leitor, e a sua experiência como ex-inspetor da Polícia Judiciária permite-lhe, com perícia, alimentar o desenrolar da intriga, indispensável a uma história bem contada. Continue reading “Na Vertigem da Traição | Carlos Ademar”

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O Inspector da PIDE que morreu duas vezes | Gonçalo Pereira Rosa

O Inspector da PIDE que morreu duas vezes | Gonçalo Pereira Rosa

A história do jornalismo, até ao 25 de Abril, é marcada pela ação repressiva do Estado sobre o pensamento livre através do controlo da informação. A censura agia de forma direta ou condicionava as opções. A forma e o texto das notícias eram sujeitas a escrutínio, obrigando os jornalistas a soluções imaginativas ou gerando equívocos quanto à boa fé de alguns deslizes. Hoje, cortadas que estão as amarras da censura do Estado, outros constrangimentos surgem: a industrialização dos jornais promove o patrão-empresário, que paira como uma sombra sobre as redações, ao papel do novo censor. Continue reading “O Inspector da PIDE que morreu duas vezes | Gonçalo Pereira Rosa”

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Em Queda Livre | William Golding

Em Queda Livre | William Golding

De uma forma não linear conhecemos a história de Samuel Mountjoy, e de como se portou face aos seus carrascos. Prisioneiro de guerra num campo alemão, Mountjoy é levado à presença de Halde, o oficial nazi que não gostava de magoar as pessoas. Halde pretende informações sobre uma fuga que desconfia estar iminente. Mountjoy sabe que não consegue resistir à tortura; desses momentos guarda a forma educada e polida com que Halde se lhe dirige, as dimensões reduzidas da sua cela, a escuridão da sua cela e do terror que se apodera dele. Continue reading “Em Queda Livre | William Golding”

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Traços Fundamentais da Cultura Portuguesa | Miguel Real

Traços Fundamentais da Cultura Portuguesa | Miguel Real

Um país suspenso no tempo é um país que não se realiza, habitando uma excitação mental vazia de estímulos de orgulho, para a qual um pequeno feito (uma vitória numa competição internacional) sabe a triunfo imorredouro.

No português subsiste a consciência lúcida de que Portugal teve o “mundo na mão” e o perdeu por cobiça mercantil ou por desleixo, vendo outros povos tomar o seu lugar nesse mundo descoberto e na história. Em cada um de nós vive o assombro de nos sentirmos insignificantes depois de nos termos sabido gigantes na descoberta da totalidade do mundo. Aí reside a esperança de que o passado longínquo nos salve. Aí nasce a raiz salvífica: o facto de termos sido. Continue reading “Traços Fundamentais da Cultura Portuguesa | Miguel Real”

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Jornada de África | Manuel Alegre

Jornada de África | Manuel Alegre

Esta é a história do alferes Sebastião e de um Alcácer Quibir do avesso, de como os homens se perdem de vista quando a morte os surpreende. O ato de loucura de um povo que leva a morte além-mar, pela força das armas e obstinação de um velho cacique, pelo direito histórico, inalienável, de fazer suas as terras de outros povos. O alferes Sebastião marcha com a única lucidez possível, pela honra de não se furtar ao destino que foi imposto à sua geração, obrigando-se, contudo, a refrear todos os excessos, denunciando-os se tal fosse o caso. Continue reading “Jornada de África | Manuel Alegre”

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Pussy | Howard Jacobson

Pussy | Howard Jacobson

Imaginem uma república protegida do mundo exterior por altos muros, governada por um grão-duque, cujo filho, o Príncipe Fracassus, é um miúdo enxuto e venerado por todas as qualidades que não possui, educado por professores universitários que foram despedidos por excesso de conhecimento e pelo péssimo hábito de corrigir os alunos. Imaginem só, porque não encontrarão qualquer semelhança com a realidade… Continue reading “Pussy | Howard Jacobson”

rebeldia | Cristina Carvalho

Rebeldia | Cristina Carvalho

É no romance de ficção, refiro-me à ficção sem o esteio da vida de um biografado, que a escrita de Cristina Carvalho se solta numa rebeldia de crua lucidez. Neste romance regressamos ao vastíssimo território da solidão no feminino, de mulheres em fuga à repressão masculina, uma fuga feita de resignação e sem destino, sem uns olhos azuis para diluir toda a dor e todo o desânimo. Mulheres que, enquanto jovens, arrastam um homem para as suas vidas, um esboço de desejo de homem, bem diferente dos maridos que conhecem às outras mulheres. Assim o desejam, ardentemente. Continue reading “rebeldia | Cristina Carvalho”

Amália – A Ressurreição | Fernando Dacosta

Amália – A Ressurreição | Fernando Dacosta

Uníssona, a multidão rebentará depois em aplausos, desconcertando Amália, que se ergue, se dirige à varanda, se acena sob sorrisos em lágrimas. Milagres aconteceram-lhe sempre, que inexplicável lhe foi o destino – sempre.

Fernando Dacosta brinda as suas divas com uma escrita poderosa, elegante e de fina sensibilidade, conheceu-as como poucos, partilhou da sua intimidade, aturou-lhes excessos, amou-as. Foi assim com Natália Correia e com Amália. Neste livro deixa-nos um registo em forma de apontamentos, o essencial para descodificar a personalidade da cantora que marcou gerações de portugueses, se fez temida pelo regime ditatorial, sofreu com a revolução, mas foi resgatada pelo povo. Continue reading “Amália – A Ressurreição | Fernando Dacosta”

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