GabrielGabriel by Amelia Vieira

Tal como os Patriarcas falavam directamente com o indizível, o poeta possui o dom de religar e a consciência da sua própria natureza, o que lhe impede de se remeter a um divertimento linguístico. O seu dizer não é lúdico, é libertador, mestre na arte da transformação.

Consciência que lhe vem desde a origem do tempo, onde todo o anúncio começou. Cabe-lhe afirmar: Impedi em cada verso o fim do mundo, não posso fazer mais… O anjo Gabriel é a poesia que daí emana.

Neste livro, Amélia Vieira revisita essa relação imanente que, desde sempre, o homem mantém com o divino. O homem que não se liga ao chão concreto sobre o qual caminha, mas que se eleva acima dos elementos, ao sublime caminho das deidades. O Homem morto, rasgado e só, é corpo atirado para um devir em guarda, e confessa-se eu nada tive, amei os homens porque me eram estranhos… Nasci? Não. Todos me inventaram. Padeci.

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