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Fernando Dacosta

Máscaras de Salazar, de Fernando Dacosta

Máscaras de salazarMáscaras de salazar by Fernando Dacosta

“Saibam que não tenho medo de morrer de medo.” (Salazar em resposta às pressões dos aliados durante a II Guerra Mundial)

Para que o mito sobreviva é preciso desconstruí-lo. A imagem de um Salazar austero, rigoroso e distante dos jogos da política, encontra neste livro o contraponto de um velhinho encantador, um ancião de fortíssima personalidade e energia e, tal como Miguel Torga, interroga o autor sobre o andamento das vindimas. Um homem rural, apegado aos valores do campo – os bons valores que estão na génese da identidade portuguesa – que percebe como ninguém a alma triste dos portugueses. Que ignora muito do que é feito em seu nome. Que sugere a fuga de Cunhal e é surpreendido pelo assassinato do general Humberto Delgado, notícia que acolhe com desagrado. É esse académico que, não querendo, se transforma num homem providencial. “Tem todo o ar de lhe ser indiferente estar, ou ir; em todo o caso, está. Está a tanto tempo, e tão tranquilamente, como se ameaçasse nunca mais deixar de estar.” (citando Salazar)

Fernando Dacosta, acreditado como correspondente da imprensa internacional, transforma-se, por via da dona Maria, em assíduo de S. Bento, e consequentemente num quase confidente de Salazar. O autor não se assume como um homem da situação. Não fui eu quem escolheu a época do Salazarismo para existir, desabafa. Reclama ter transportado ao forte de Peniche, com gasolina à sua custa, muitos familiares de presos políticos. Acaba mesmo por ser despedido da Europa-Press (afeta à Opus Dei), por não ter, em política e costumes, comportamentos correctos. Teve a sorte de nunca a PIDE ter desconfiado desta visão pouco convencional que o autor protagonizava.

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O Botequim da Liberdade, de Fernando Dacosta

O Botequim da LiberdadeO Botequim da Liberdade by Fernando Dacosta

Para que se justifique a nossa vida é preciso que alguém a invente em nós.
Natália Correia

Era uma mulher inigualável. Nos caprichos, nos excessos, nas iras, nas premonições, nos exibicionismos, na sedução, na coragem, na esperança. Cantava, dançava, declamava; improvisava, discursava, polemizava como poucos entre nós alguma vez o fizeram, o sonharam.

Natália Correia surge aqui num retrato de corpo inteiro, com seu lado inquieto a vincar estas páginas. O Botequim foi local de gente assídua e, provavelmente, com o Procópio(1) das últimas tertúlias de Lisboa. Local de comunhão com pessoas de espírito e ousadia porque se deve evitar a cultura desvivenciada, pois só quando se está muito na vida se pode transmiti-la aos outros.

Mulher de excessos, exercidos com apurado sentido cénico, Natália contribui para o “anedotário” que surge à sua volta e que ela alimentou com poses extravagantes e comentários provocadores, (o que) a reduziu por vezes a caricaturas de si própria, impedindo a percepção da sua autenticidade.

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