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Paulo M. Morais

Seja Feita a Tua Vontade | Paulo M. Morais

Um médico octogenário, cansado de lutar contra os bichos que imagina devorarem-lhe o corpo, decide que não quer continuar a viver. Metódico e informado, prepara a sua morte: ocupa um quarto da casa, comunica à família as suas intenções e deixa, pura e simplesmente, de se alimentar. Apesar do choque inicial que a notícia provoca, um dos netos resolve ajudá-lo a cumprir a sua última vontade. Visita-o diariamente, e as horas que passam juntos a rememorar o passado e a conversar sobre os tempos que se aproximam constituem uma terna despedida, uma espécie de luto pacificado. Continue reading “Seja Feita a Tua Vontade | Paulo M. Morais”

Uma Parte Errada de Mim, de Paulo M. Morais

Uma Parte Errada de MimUma Parte Errada de Mim by Paulo M. Morais

Acreditar na sorte, não a que se encontra no jogo ou no amor, mas aquela a que nos agarramos nos momentos difíceis, porque nunca é fácil encarar a morte, ou falar dela. A esperança é apenas essa teimosia da sorte. O autor, no seu ano horribilis, vê tudo acontecer-lhe: a falta de emprego, o fim do casamento Continue reading “Uma Parte Errada de Mim, de Paulo M. Morais”

Uma Parte Errada de Mim

Uma Parte Errada de MimEm meia dúzia de meses, Paulo M. Morais ficou sem trabalho, terminou um relacionamento de doze anos e viu-se obrigado a vender a casa. Embora derrotado pelas circunstâncias, queria estar à altura dessa nova etapa de vida e concentrou-se na missão de cuidar da filha pequena e reatar os laços com a avó Continue reading “Uma Parte Errada de Mim”

Uma Parte Errada de Mim

conv_uma_parteRichard Zimler apresenta o livro «Uma Parte Errada de Mim», de Paulo M. Morais, na Livraria Leya na Barata.

A minha leitura.

Estrada de Macadame, de Paulo M. Morais

Estrada de MacadameEstrada de Macadame by Paulo M. Morais

Um casal não sobrevive à perda da filha e separa-se. Daniel quer viajar para a Índia e Gina não está na disposição de o acompanhar.

 Parte sozinho. Pretende regressar aos tempos em que, ainda jovem, fizera uma viagem idêntica, de descoberta e realização pessoal. Procura, agora, libertar-se do desespero de um casamento em crise e da perda da filha. Atravessar meio mundo, afastar-se de tudo e de todos para fugir das sombras que o encerram no passado. Chegado à Índia, reencontra uma paisagem humana que lhe era familiar. Descreve-a em pinceladas fortes, carregadas de cor e odores: as da sempre exótica Índia, no seu esplendor e perigos que espreitam o turista em busca de emoções impossíveis de viver nos seus países de origem. São personagens perdidos na sua simplicidade, indefesos perante a magia avassaladora daquelas paragens.

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Revolução Paraíso

Revolução ParaísoRevolução Paraíso by Paulo M. Morais

Revolução Paraíso é o primeiro livro de Paulo M. Morais. Um relato bem documentado dos dias que se seguiram à Revolução do 25 de Abril. Estamos perante um fresco desse período num olhar feito a partir dos jornais, a começar pela Revista de Portugal que pretende ser a voz do povo e dos seus afetos, recusando-se ser o eco das politiquices que invadem o resto da imprensa. Dar voz ao povo era a sua missão; mas, pelo caminho, deixa cair a questão colonial por imposição do seu proprietário.

O clima revolucionário lança a agitação no seio do jornal. No seu pequeno corpo técnico e redatorial instala-se a mudança imposta pelos ventos da revolução. Um operário, Adão, operador da grande máquina de linótipo, transforma-se no mais inesperado de todos os personagens.

Eva é a sua paixão, uma mulher de letras com um improvável dom para as palavras. Frases como “Amámo-nos como dois peixes a lutar pela vida num rio turbulento, em pânico de cairmos na catarata das paixões extintas.”, ou “Montou-me como um violador e verteu-se sobre mim. Gelou-me os caracteres com a frieza do seu sémen e depois rebolou para o lado, comprazido, num ressonar imundo.”, saem da sua boca, contrastando com um Adão, inseguro e nada dado ao dom da palavra.

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Revolução Paraíso

Revolução ParaísoRevolução Paraíso foi oficialmente apresentado na FNAC Chiado.

Mário de Carvalho referiu-se aos três planos em que esta obra se desenvolve, o histórico, o da acção dos personagens e o onírico (que está para além do sonho de um Portugal melhor, aportado pelo 25 de Abril). Encontrou características picaras nos personagens e lançou perguntas em jeito de desafio ao autor.

O autor respondeu com humor, embora não tenha corrido o risco de se afastar do que tinha preparado como sua apresentação, e deixou-nos uma visão, não da sua obra, mas de como esta nasceu e cresceu com ele. Paulo M. Morais tinha dois anos no 25 de Abril e, claro está, não soube responder à pergunta vinda da assistência: “Onde estavas tu no 25 de Abril?”.

Como se constrói um livro sobre um período histórico tão recente e do qual não se têm uma memória? O autor teve a sorte de receber um álbum de recortes das mãos da sua avó. Construiu assim, sobre o relato dos outros, as suas próprias memórias. Será esse o plano onírico de que falava o Mário de Carvalho? Não sei, mas talvez seja bom ler o livro primeiro antes de me sentir tentado a chegar a alguma conclusão.

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