Pesquisar

Acrítico

Leituras dispersas

Etiqueta

Pedro Almeida Vieira

O Profeta do Castigo Divino, de Pedro Almeida Vieira

O Profeta do Castigo DivinoO Profeta do Castigo Divino by Pedro Almeida Vieira

Logo no antelóquio, o autor despede-se do seu romance entregando-o a um narrador, justificando-se o melhor que sabe. Em abono do narrador, salienta as suas muitas qualidades que lhe permitem testemunhar acontecimentos que distam entre si muitas milhas e interagir com os elementos, comandando-os. Apresenta-o como alguém que tem acompanhado a humanidade desde os seus primórdios. Por seu lado, o narrador escolhido admite ser o menos ajustado para tal tarefa, por não poder provar a sua isenção face aos fatos que se propõe narrar. Mas, já na posse do romance, com alguma prosápia, confessa conhecer por experiência própria todas as inclinações dos homens. A sua primeira mentira está no enunciado dos seus propósitos: ter acerto no começar, direção no progredir e perfeição no concluir.

Pedro Almeida Vieira entrega a narração deste romance, sobre a vida desse grande evangelizador que foi o padre Gabriel Malagrida, o Santo do Maranhão, ao próprio Diabo, o Mafarrico, o Excomungado.

Continue reading “O Profeta do Castigo Divino, de Pedro Almeida Vieira”

Anúncios

Crime e Castigo, Pedro Almeida Vieira

Crime e Castigo - O Povo não é SerenoCrime e Castigo – O Povo não é Sereno by Pedro Almeida Vieira

A justiça no “acien régime” – entenda-se século XVIII, antes da revolução francesa – fazia-se com total desprezo pela proporcionalidade entre o crime e a pena aplicada. A “justa medida” era dada pela categoria do ofendido. Um crime praticado “na primeira cabeça” era equiparado a uma ofensa direta à figura real e punível com a pena máxima: a morte. E no lote dessas ofensas cabiam desde crimes contra a fazenda pública, conspirações, atentados ao rei ou contra quem, no desempenho dos seus cargos, lhe eram equiparados na primeira cabeça.

O rei era a emanação do poder divino na terra. Uma ofensa à sua pessoa transformava-se simultaneamente num ato contra Deus. As ofensas ao divino, como sabemos, são puníveis com o fogo eterno do inferno, nenhum castigo na terra se lhe pode comparar. Os horrores aqui descritos são explicáveis à luz desse entendimento. Na execução das penas existia um ritual de quase celebração religiosa, com o desfile dos condenados até ao patíbulo acompanhados pelas autoridades civis e eclesiais.

O povo era convidado a assistir e acorria em massa.

Continue reading “Crime e Castigo, Pedro Almeida Vieira”

Crime e Castigo – O povo não é sereno

ECI_PAVHoje, no Âmbito Cultural do El Corte Inglés foi dia de Crime e Castigo. O último livro de Pedro Almeida Vieira foi apresentado por Francisco Teixeira da Mota.
O jurista alertou-nos para o facto de no século XVIII, no Ancien Régime, não existir na justiça uma ideia de socialização, de ação preventiva ou punição proporcional ao crime praticado.
O castigo refletia o estatuto de quem era atingido, sendo assumido como uma celebração do poder instituído, arbitrário, com confissões arrancadas à base da tortura e sendo aplicado de forma quase ritual. A ideia da reparação do mal causado ou da reintegração do condenado eram inexistentes à época.

Pedro Almeida Vieira reconheceu que o seu livro aborda a maldade humana e de como, pontualmente, podemos incorrer em retrocessos civilizacionais. Apesar da brutalidade de alguns castigos, o autor confessa o imenso prazer que lhe deu escrever este livro. Um livro sobre crimes e castigos num país onde o povo não é tão sereno como parece.

Create a free website or blog at WordPress.com.

EM CIMA ↑