HúmusHúmus by Raul Brandão

Este livro abre com a enumeração das velhas. A D. Engrácia, a D. Restituta, a D. Procópia, a D. Felizarda… As velhas não são más, mas têm atrás de si séculos de ruína e destroços. O que mais odeiam no Gabiru é a sua imensa capacidade de sonho, do sonho que vale a vida.

As velhas são a vida, a vida estragada, a vida não vivida. O que mais lhes custa perder são os hábitos. As velhas são poeira inútil que foi dor. O seu corpo pede-lhes terra.

Quem assim fala é a morte, o mais belo, o mais tremendo, o mais profundo dos mistérios. A que tem as perguntas vivas, a que se interroga sobre Deus, a que reclama ser Deus a maior conquista dos homens. Aquela que é o monólogo narrador deste livro.

Continue reading “Húmus”