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Rubem Fonseca

Amálgama, de Rubem Fonseca

AmálgamaAmálgama by Rubem Fonseca

Rubem Fonseca reúne neste seu Amálgama uma série de contos e alguns poemas. O narrador, sempre na primeira pessoa, surge num registo direto e afirmativo, sem palavras grudadas e numa contida adjetivação. Episódios de vida narrados com a mesma casualidade de uma conversa, com um desconhecido, numa qualquer paragem de autocarro. São contos nos antípodas dos de Esopo, dado que não pretendem transmitir uma lição ou vincar um preceito moral. São histórias de gente pobre, deformada, verdadeiras aberrações, anões, ignorantes, órfãos e estropiados. Mesmo quando têm dinheiro continuam reféns da sua condição. A pobreza é um aleijão do qual nem o dinheiro livra. Contos quase inacabados, como a vida destas pessoas que, apesar da sua existência violenta, se apagará na memória do tempo. São gente evanescente, conformada e disciplinada.

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Agosto, de Rubem Fonseca

AgostoAgosto by Rubem Fonseca

Mattos é comissário da polícia criminal, um “perfeito asa-branca”, o tipo raro de policial que não aceita dinheiro. “Ele tinha a mania contar os degraus das escadas que subia”.
Como um fio condutor de toda a trama, o leitor fica preso ao enredo. Quem acabará por matar o comissário? Os bicheiros, o senador que mantém sob investigação ou a úlcera que ele insiste em ignorar. Como pano de fundo, um Brasil apodrece.
Naquele mês de Agosto, o presidente Getúlio Vargas acaba por cometer suicídio. O povo sai à rua sem saber ao que vai. Pressente-se no ar um fim de ciclo, mas um fim de ciclo sem promessa de futuro. Mattos persegue o seu sentido de justiça e a sua única paixão: a grande música clássica que vai escutando na vitrola. Nos momentos livres, estuda, sem grande empenho, para o exame de acesso à carreira de magistrado. Tudo nele parece existir fora de tempo e da realidade do seu país. Uma negação da decadência em que o Brasil se afunda.

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A grande arte

A grande arteA grande arte by Rubem Fonseca

Este livro vive de dois protagonistas que travam uma luta entre si. O desejo de vingança de Mandrake e o destino que parece empenhado em lhe roubar essa satisfação. Advogado, Mandrake, lança-se numa aventura em busca dos dois homens que o feriram e abusaram da sua namorada. Envolve-se numa sucessão de equívocos e coincidências, onde o destino acaba por impor a sua versão, revelando toda a inépcia do causídico como detetive. Os seus inimigos caem, mas não pela sua acção directa. O destino, como se fosse um reflexo da sua forma cínica de ser, brinca com ele, pregando-lhe partidas.

O narrador, que considera ser a “conjectura uma presciência artística”, sente a necessidade de se justificar. “Eu não queria esquecer, era bom lembrar e odiar.”

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