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Traços Fundamentais da Cultura Portuguesa | Miguel Real

Traços Fundamentais da Cultura Portuguesa | Miguel Real

Um país suspenso no tempo é um país que não se realiza, habitando uma excitação mental vazia de estímulos de orgulho, para a qual um pequeno feito (uma vitória numa competição internacional) sabe a triunfo imorredouro.

No português subsiste a consciência lúcida de que Portugal teve o “mundo na mão” e o perdeu por cobiça mercantil ou por desleixo, vendo outros povos tomar o seu lugar nesse mundo descoberto e na história. Em cada um de nós vive o assombro de nos sentirmos insignificantes depois de nos termos sabido gigantes na descoberta da totalidade do mundo. Aí reside a esperança de que o passado longínquo nos salve. Aí nasce a raiz salvífica: o facto de termos sido. Continue reading “Traços Fundamentais da Cultura Portuguesa | Miguel Real”

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Miguel Real em entrevista

A seguir a Alcácer Quibir, e com a perda da independência, passou a haver um afastamento entre a elite e a população. A elite pensando sempre em modas estrangeiras, parisienses, hoje nova-iorquinas ou globais, e o povo vivendo de uma forma miserável, até ao século XX, um povo cristãmente medieval, um povo mais de servos do que de cidadãos. (MR) Continue reading “Miguel Real em entrevista”

Traços Fundamentais da Cultura Portuguesa

Da autoria de um dos mais destacados estudiosos de temas da Cultura Portuguesa da última década, esta é uma obra fundamental para todos os que se interessam pela história, cultura e identidade nacionais.

Miguel Real aponta, nesta obra, as constantes históricas e as irrupções daqueles que considera serem os quatro complexos culturais que, cruzados,  Continue reading “Traços Fundamentais da Cultura Portuguesa”

” Miguel Real

Pela arte da palavra de padre António Vieira, Portugal, país de valor exíguo no século XVII, valendo apenas pelo legado dos territórios do Império, permanece desde então sebastianisticamente em estado inquieto de vigília, imagem perfeita de país suspenso no tempo, aguardando o «despertar», a «Hora!» pessoana, porque de novo cruzará os mares Continue reading “” Miguel Real”

Nova Teoria do Pecado, de Miguel Real

Nova Teoria do Pecado, de Miguel Real

Neste ensaio sobre o pecado, o autor introduz os conceitos que aplica como ferramentas na construção do seu edifício: Mal, Medo, Excesso de Ser, Perfídia, Mal-Estar… Não hesita em invocar o seu lado de ficcionista para dramatizar alguns episódios, em que a humanidade se viu defrontada nos seus tempos primitivos, facilitando a apreensão desses conceitos, e enriquecendo a escrita com alguns apontamentos poéticos: …quando os olhos sossegados repousam no horizonte ou, fechados, adormecem.

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Nova Teoria do Pecado, de Miguel Real

“O pecado constitui a categoria filosófica e religiosa sobre a qual a Europa cristã assentou as suas constantes culturais e civilizacionais e sobre a qual edificou a base fundamental do Poder, o poder religioso, mas sobretudo o poder político e social.

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Nova Teoria do Sebastianismo, de Miguel Real

Nova Teoria do SebastianismoNova Teoria do Sebastianismo by Miguel Real

…cada português sente-se, em si, incompleto, irrealizado, guardando memória de um inacabamento essencial.

Neste ensaio Miguel Real revisita o mito do sebastianismo desde a sua génese até aos dias de hoje. O que disseram os mais diversos pensadores, filósofos e o sentir do português comum, sustentam o sebastianismo como uma crença mítica. Um discurso alucinatório, nem real, nem ficcional, que, nos dias de hoje, num Portugal humilhado e obrigado uma vez mais a ceder a sua soberania, assume o carácter de refúgio para quem não vê nas suas elites o motor que guinde o país ao nível dos seus parceiros europeus. Nesse aspeto o sebastianismo corresponde a um fortíssimo anseio de justiça e riqueza.

Sentiu (o português) que algo que pertencia a Portugal inteiro como país e nação era usufruído apenas pelas elites ligadas ao Estado e sentiu-se incompleto e irrealizado.

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A Montanha e o Titanic

A Montanha e o TitanicA Montanha e o Titanic by Luísa Franco

A resposta veio no mesmo dia em que soube o resultado do pedido da reforma. De manhã, a reforma. À tarde, a Besta, majestosa, anunciou que iria comer o meu corpo.

Dizem os manuais de escrita criativa que a melhor forma de prender o leitor é começar com uma morte. Neste romance, Luísa Franco serve-nos, logo na frase de abertura, a sua própria morte: Paradoxalmente, se o meu intento for bem sucedido, toda a minha vida se resumirá a uma noite. A noite do dia em que soube que ia morrer.

A autora partilha connosco um conjunto de decisões, fora feliz em vida precisava de o ser na morte. Toma o propósito de escrever a história verídica da sua Avó Álvara que, juntamente com o marido, perecera a bordo do Titanic. Luísa Franco vai buscar as suas forças à Montanha do Pico e à presença tutelar e inspiradora da Avó Álvara. Habituada a uma vida solitária, sem marido, filhos ou namorados, Luísa encontra nos personagens dos romances que lê, toda a companhia de que precisava. Hoje não será diferente. A Avó Álvara, transformada em personagem do seu romance, também estará presente, inspirando-a, zelando juntamente com a Montanha, para que atinja o seu propósito, o de concluir este romance. Não sendo uma pessoa crente, Luísa Franco acredita na força da Montanha, tal como acredita na força do Espírito Santo. A Montanha ajudou-a a nivelar a sua relação com deus. Massa pétrea colossal, nela projectei o meu sentimento de transcendência.

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Mensagem – comentada por Miguel Real

Mensagem de Fernando Pessoa comentada por Miguel RealMensagem de Fernando Pessoa comentada por Miguel Real by Fernando Pessoa

A “Mensagem” é uma obra poética contaminada por um espírito heróico, determinada por um universo semântico de vocábulos de origem sagrada e destinados a exaltar uma pátria decadente.

Fernando Pessoa acreditava que Portugal estava a viver uma suspensão do tempo histórico, ao qual regressaria para cumprir a sua missão de instrumento divino na criação de um V império. Um império que não seria material ou territorial, mas espiritual e que regeria a totalidade da existência humana. As dores do império material, baseado numa errância marítima e guerreira, cederiam lugar ao domínio do espírito sob a força bruta. Nesse passado de domínio guerreiro já existira o propósito de erradicação de toda a guerra.

Fernando Pessoa coloca o acordar de Portugal, não numa data precisa e distante, mas quando Deus assim o entender. Será por esse apelo divino que se cumprirá Portugal. O Encoberto ser-nos-á então enviado.

Este povo, que venceu o medo medieval do mar, vê-se transformado em cadáver adiado que procria. Urge pois: Chamar Aquele que está dormindo / E foi outrora Senhor do Mar.

Miguel Real oferece-nos uma leitura lúcida e inteligente deste belíssimo poema, respeitando-lhe a alma, permitindo ao leitor apreender, em toda a sua extensão, a simbologia e misticismo de que está impregnado. As ilustrações de João Pedro Lam dão ao livro um aspecto menos pesado, fazendo-nos abstrair do lado académico e mais formal desta obra.

Cumpri contra o Destino o meu dever.
Inutilmente? Não, porque o cumpri.

Esta obra integra  Plano Nacional de Leitura para o Ensino Secundário.

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