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José Luís Outono

Três mares, de José Luís Outono

tres_maresTrês mares, de José Luís Outono.

Restam as margens, diz o poeta. De que margens se despede este mar?

Este é um livro marcado por uma visão aberta ao mundo, esse imenso mar perturbado por contornos nublosos, agitado pelo sofrimento humano que rouba cores à escrita. Um mundo-mar sob um olhar que não esconde o sofrimento, distanciando-se de si próprio, quase nos seus antípodas. Continue reading “Três mares, de José Luís Outono”

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Três Mares

3mares_convTrês Mares, de José Luís Outono – lançamento na Galeria Verney.

Palavras a Preto e Branco

O silêncio é a palavra que tudo pode querer dizer.

Este livro propõe-nos um mundo de palavras a preto e branco, registado em momentos captados pela objetiva de José Luís Outono. As palavras de José Gabriel Duarte são um enquadramento cúmplice. Uma fotografia é um texto poético em pose, confidencia-nos o autor das reflexões que não são legendas e rejeitam mesmo esse lado figurativo.

Não existe uma ordem clara entre o olhar que vê e o que lê, atuando reciprocamente: a frase impondo-se como contorno final e a foto, pronta a receber todas as ideias, como um caderno pautado. Uma imagem sempre precede um momento de criação e, como tudo o que nos transcende, deve ser apreciada em silêncio; o universo do indizível. O que procuramos fixar numa foto? Um equilíbrio, uma atitude ou uma pequena história? A foto conseguida, plenamente realizada, será sempre um poema bem focado.

Sobre o negro, uma escrita a luz. Liberta-se em poesia o que se fixou no olhar.

Rio de doze águas

Rio de doze águasRio de doze águas by Antonio Gil

Doze poetas uniram as suas vozes no leito de um rio a doze águas. Um rio de afluentes, feito de sensibilidades distintas, escritas de um eflúvio pessoal e cantos de água solta. Como prefacia Joaquim Pessoa: “E o que não souberes e o que não entenderes, canta.”

Esta é uma iniciativa da página do Facebook, Quem lê Sophia de Mello Breyner Andresen, que deu corpo a este caudal a doze vozes, doze vezes sete poemas inéditos encabeçados por doze foto-poemas. Fotos a preto e branco que nos enlevam o olhar, um olhar que suscita leituras, onde a foto não é mais o que se vê, mas a imagem trabalhada no poema. A foto do céu que se deita sobre a linha do horizonte, repousando sobre o mar, que se recolheu desnudando as rochas que se afundam na areia da praia, recebe: “Aos meus passos sem sombra // o teu corpo trouxe consigo a maré.” (Lília Tavares sobre uma foto de José Alpedrinha)

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Mar de Sentidos

Mar de SentidosMar de Sentidos by José Luís Outono

A palavra na poesia de José Luís Outono é um mar crescente, sobrepondo-se à ausência de marés, palavra repetida de si próprio, sorrisos de páginas livro, amor casulo, naufrágio. Poetar simples d’alma vontade, olhar atento sobre a cidade de Lisboa, berço de sentires e de histórias, espaço relação do autor com a vida. Onde este amadureceu na escrita e nos afectos, em algumas vitórias inglórias, de que a saudade não redige a história.

Nessa vida de desencontro de vontades, as folhas replicam o nosso cair; é o olhar rugoso do Outono descendo sobre nós. Esta é uma escrita em fim de ciclo, um aportar no cais do momento, refeição fingida. Olhar em busca de novos horizontes, consciência de um trilho feito, fome de mundos novos. Um chegar a exigir novos caminhos. Por aqui emergem palavras, esquecidas, ancoradas em tom de fim de viagem e, sempre, um remanescente convite para se tombar num mar repleto.

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Da janela do meu (a)Mar

Da janela do meu (a)MarDa janela do meu (a)Mar by José Luís Outono

Sobre a imensidão repousa o nosso olhar. O do poeta é feito de filtros, inquietudes e exaltação. Janela deslizante sobre o mundo em forma de onda que, numa praia, irrompe o seu caminhar como um verso se quebra em rima.

Lágrimas. Lágrimas que se secam em avalanches de dor. Encontra o poeta, no tronco meigo do corpo sólido (de mulher), esse ponto de ancoragem. A poesia de José Luís Outono existe nesse porto de abrigo, tormentoso, de poema silêncio e de mulher por soletrar.

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