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Teolinda Gersão

Histórias de ver e andar, de Teolinda Gersão

Histórias de Ver e AndarHistórias de Ver e Andar by Teolinda Gersão

Estava sempre ocupada, as coisas davam-lhe que fazer como crianças a quem se tem de dar atenção o tempo todo.

Estas histórias de ver e andar propõe-nos uma forma de olhar para as situações simples do nosso dia-a-dia, sejam casos de desamores, de abandono ou um segredo que resgatamos ao passado. Continue reading “Histórias de ver e andar, de Teolinda Gersão”

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Passagens, de Teolinda Gersão

PassagensPassagens by Teolinda Gersão

Era um ambiente algo impessoal, apesar de terem feito esforços para lhe dar um aspecto solene, quase festivo: havia em volta uma profusão de flores, como nessas alturas em que se fazem gastos insensatos, porque são ocasiões irrepetíveis, que justificam todos os excessos.

Este é um livro de personagens, como se nos encontrássemos numa peça de teatro onde se celebra a vida, com as suas alegrias, desencontros, culpas e desabafos. Cabe aos personagens o papel do narrador, de passar o seu testemunho ao seguinte, como o fizeram sucessivas gerações. Estamos num velório, no velório de Ana. Uma ocasião irrepetível.

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As águas livres, de Teolinda Gersão

As águas livres - Cadernos IIAs águas livres – Cadernos II by Teolinda Gersão

Teolinda Gersão oferece-nos o registo de momentos, reflexões, sonhos e memórias. Por vezes, pequenos contos. São os seus cadernos

A Liberdade de uma escrita solta, ao sabor do acaso. Esses passos leves. Essas águas livres nas quais se mergulha para se sair renascido. A consciência do “valor único de cada instante vivido.”

Existe um olhar que se apropria das coisas fixando-se por vezes no seu avesso. Pensamentos que espreitam a vida sem a objectividade do cronista. Estamos no universo da testemunha, entregues ao seu poder recreativo, sempre fiel à sua forma de ver. “Escrevia muitas das vezes «ela» e não «eu».”

A presença do “Ela”, esse olhar de fora com o corpo de quem escreve de permeio. O domínio temporal do “eu” parece ser mais restrito, apenas a escrita na terceira pessoa se liberta, se torna intemporal. Encontramos aqui notas que são dessa natureza, que ultrapassam o mero registo de uma experiência pessoal.

Estamos perante “O fascinante lado impessoal do modo não figurativo de encarar o mundo.” A máquina óptica que somos, ruminando todos os momentos do mundo.

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O Silêncio

O SilêncioO Silêncio by Teolinda Gersão

Silêncio é o diálogo possível deste amor. Lídia fala como se estivesse em diálogo com Afonso. De início, ele tenta traçar os limites, com um fósforo desenha na areia “suponhamos que aqui está a casa… sobre um muro está um gato sentado.” E Lídia logo corrige “Está sentado de costas, olhando para o outro lado do muro…apenas se veem as duas pontas do bigode, saindo de ambos os lados da cabeça.”

Afonso não mais recupera esse controlo, acredita vigiá-la, “estabelecer limites tácitos a todas as palavras… se a mulher que falava tentasse ultrapassá-los, ele obrigá-la-ia a retroceder e a alegar que estava mentido.” Este é um encontro de Lídia consigo própria e só depois com o homem a quem dirige as palavras.

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A cidade de Ulisses

A Cidade de UlissesA Cidade de Ulisses by Teolinda Gersão

Um convite para uma exposição sobre a Cidade de Lisboa, abre o caminho para um diálogo interior, pretexto para o personagem se revelar através das suas memórias que se fundem com a história dos locais dessa vivência. Lisboa, cidade criada por Ulisses, oferece essa dimensão onírica e intemporal. A urgência das coisas da vida, como o internamento da mãe, segue o mesmo roteiro narrativo sem que tenhamos a noção concreta da localização do personagem. Este pode estar a reviver tudo a partir da sua cama ou sentado no sofá, de comando na mão, prestes a acender o televisor. A mente é uma viajante intrépida pela vida, locais e amores.

Lisboa, as suas lendas e história são o pretexto. Podia ser outra cidade qualquer, mas só esta foi criada por Ulisses.

“O mundo era redondo, qualquer lugar, a partir do qual se olhasse, podia ser o centro: a Europa ou a América, a África, a Ásia.”

 

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