O gato de UppsalaO gato de Uppsala by Cristina Carvalho

Existem locais cujos costumes nos são estranhos e de tão estranhos os acharmos, dizemos que são remotos. Remotos porque afastados da nossa realidade. Existem para que tenhamos a consciência de não estarmos sós, de que existem outras pessoas como nós, embora com hábitos diferentes, e outras formas de vida e que todos somos habitantes desta terra.

Em Kiruna, onde nasceu Elvis, a terra é tão curva que o sol não encontra o conforto de um horizonte para se recostar durante a noite e por isso nunca dorme. Elvis desceu de Kiruna e em Uppsala conheceu Agneta e o seu gato. Juntos, partem numa aventura para ver o Vasa, o mais belo e imponente navio de guerra alguma vez construído.

Na sua construção, mais de mil carvalhos foram cortados. Toda uma floresta para dar força ao casco do navio. Elvis, Agneta e o gato de Uppsala, e muitos, muitos outros vieram ver o Vasa. Assistir à viagem inaugural do poderoso navio de guerra, com as estátuas de madeira e os seus canhões. Tão mais belo porque navegava na mansidão de um mundo em paz. Nesse dia, em que o Vasa largou as amarras, todos haviam de aprender que não compete ao homem construir a imortalidade com as suas mãos. Naquele dia, todos aprenderam que nem só o fogo destrói as florestas. Que o diga o Vasa que levava uma floresta de carvalhos na sua pele e sucumbiu em tanta água.

Elvis e Agneta ficariam em dívida para com o seu gato de Uppsala. Uma dívida para além de todas as palavras porque um gato nos adora desse modo, sem palavras, intensamente. Apenas porque é livre. Como deve ser o amor.

O Gato de Uppsala faz parte do Plano Nacional de Leitura.

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